Na fazenda de seu Antônio Ribeiro, em Uberaba, o que antes era pasto degradado virou um mosaico de milho, feijão, mandioca e árvores nativas do Cerrado. A transformação levou três anos e a ajuda de uma cooperativa de agroecologia, mas hoje a família produz mais e gasta menos com insumos.
"No começo, todo mundo achava que eu tinha ficado louco", conta seu Antônio, 58 anos. "Vizinho meu falou: você vai perder tudo. Mas foi o contrário."
O que são sistemas agroflorestais
Sistemas agroflorestais (SAFs) são modelos de produção que integram árvores, culturas agrícolas e, em alguns casos, criação animal na mesma área. No Cerrado, eles têm a vantagem adicional de contribuir para a recuperação de um bioma que já perdeu mais da metade de sua cobertura original.
A Cooperativa Cerrado Vivo, sediada em Uberlândia, acompanha 214 famílias na transição para SAFs na região. Segundo a coordenadora técnica, agrônoma Fernanda Castro, a produtividade média das famílias assistidas cresceu 35% nos primeiros dois anos após a implantação.
Desafios e apoios
A transição não é simples. Os primeiros anos exigem investimento e paciência — as árvores levam tempo para crescer e os benefícios do sistema se manifestam gradualmente. O acesso a crédito rural adaptado para SAFs ainda é limitado, embora o Pronaf Agroecologia tenha melhorado nos últimos anos.
A prefeitura de Uberaba lançou em março um programa de assistência técnica gratuita para agricultores interessados na transição. Nos primeiros três meses, 47 famílias se inscreveram.